LAVANDO ROUPA SUJA

LAVANDO ROUPA SUJA
*Necessário*

terça-feira, 23 de junho de 2009

MEDIDA SÓCIO DEGRADATIVA


Durante inspeção nas unidades prisionais do Espírito Santo, os juízes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além de casos alarmantes de superlotação, também descobriram que, em uma unidade para jovens infratores, na cidade de Cariacica, a terceira maior do Espírito Santo, 121 adolescentes com dependência química foram sedados e transferidos às pressas na véspera da inspeção para evitar o flagrante da superlotação. Na unidade para onde foram levados, os juízes apreenderam sprays de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e armas brancas. E, na unidade de origem desses jovens, os inspetores encontraram alguns menores trancafiados em contêineres sem ventilação e sem esgoto. Havia pequenos buracos no teto causados pela ferrugem, que quando chovia alagava o local. "Duas dessas caixas estavam expostas ao sol. Não havia banheiro. Os menores eram obrigados a defecar e urinar dentro do contêiner. O cheiro é repulsivo", diz o relatório do CNJ, cuja equipe teve de usar botas de borracha, luvas, máscaras e outros equipamentos para poder executar o seu trabalho.
Agora imagine um local desses, que se destina oferecer medidas sócio-educativas para reintegrar jovens infratores a sociedade. Que tipo de sistema é esse que ao invés de consertar (que é o que se propõe), destrói ainda mais. Degrada, humilha, tira todo o resquício de dignidade.
Sem falar nos instrumentos pedagógicos: sprays de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e armas brancas (facas, porretes, socos ingleses etc...)
Eu não consigo ver resultados positivos em medidas que dopam, trancafiam em contêineres sem ventilação expostos as diversidades temporais, jovens em meio urina e fezes.
Só consigo ver revolta e violência. Vejo eu e você reclamando amanhã por que fomos assaltados. Vejo famílias chorando o assassinato gratuito dos seus entes. Vejo troca de tiros e vítimas de balas perdidas. Vejo qualquer coisa muito diferente de jovens reintegrados à sociedade.
Isso mostra a forma inovadora de se solucionar problemas sociais. Ao invés de resolvê-los, é mais fácil fingir que eles não existem e trancá-los em um contêiner. E todos nós nos sentimos mais seguros e protegidos. Não é?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

INTERESSE PÚBLICO x PRIVACIDADE


A Suprema Corte de Justiça do México entendeu, recentemente, que a liberdade de expressão deve estar acima do direito de privacidade de funcionários públicos. Os ministros livraram o diretor do jornal regional Antorcha, José Sacramento Jesús Orozco Herrera, condenado a três anos de prisão por publicar fatos da vida do então prefeito da cidade. A informação é do jornal Proceso.
O jornal publicou entrevista com o ex-motorista do prefeito, onde ele afirmou que o político utilizou bens públicos em benefício próprio. Insatisfeito, o político recorreu à Justiça. No processo, alegou que o texto foi uma ofensa a sua vida privada.
O pedido foi aceito pelo Tribunal Colegiado da cidade mexicana de Guanajuato e o jornalista condenado. Orozco Herrera recorreu, então, à Suprema corte, que anulou a sentença de três anos contra ele. Para os ministros, é natural que meios de comunicação noticiem fatos da vida pública dos políticos, já que o tema é de interesse da sociedade.
A decisão da corte busca garantir a liberdade dos jornalistas de informar sobre as atividades de funcionários públicos e evitar que governantes processem judicialmente repórteres com o argumento de que atacam a sua vida privada, acrescenta o jornal El Universal.
Viva Mexico!

ASSOPRA E MORDE



Grande parte dos jornalistas do Brasil comemorou a decisão do STF que derrubou a lei de imprensa, resquício da censura imposta a época da ditadura. Entrevistei o presidente a Associação Brasileira de imprensa (ABI), o jornalista Mauricio Azedo, na ocasião. Muito entusiasmado ele declarou: “A derrubada da lei é uma avanço no sentido liberdade de expressão, manifesta a plenitude do que está disposto na Constituição Federal”.
Bem, todos felizes ...
No dia 17 de junho de 2009, no julgamento que decidia a necessidade ou não do diploma de jornalista para o exercício da função, o presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mender, compara a profissão de jornalista ao de cozinheiro. E diz que qualquer um pode ser jornalista. Eu repito: QUALQUER UM! O ministro Levandowski afirmou ainda que não haverá mais concurso público específico para a função de jornalista.
Saldo: Qualquer um pode ser o que eu estudo durante quatro anos para ser; Sem reserva de mercado; O meu diploma não serve para o Estado; E sem direito a concurso público. Ta bom assim?

Não entendi a decisão do Supremo. Confundiram liberdade de EXPRESSÃO com liberdade de PROFISSÃO.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

ANGU OU BETERRABA


Imaginem um restaurante onde você é obrigado a ir, no qual eles só te servem Angu com Jiló ou Beterraba com bucho (tem gente que gosta, eu detesto). Tendo em vista que as duas combinações são ruins, você tem a opção de sentar-se a mesa e não comer, pedir para o garçom trazer qualquer um dos pratos – já que você terá que se esforçar pra digerir qualquer um deles mesmo – ou você pensa bem, respira fundo, toma coragem e pede aquele que te parece menos ruim. Tomando por base esta última situação, a comida chega e você a come. Ocorre que a gororoba te fez mal, muito mal. E o que você ouve nesse momento? “Tá vendo! Isso que dá... Não sabe escolher o que come!!!”
Alguma semelhança no nosso cotidiano?
Um dia desses estava eu conversando com amigos em um bar – local propício para esses assuntos - e comecei a perceber, e até eu mesmo já fiz parte desse coro, que todos que reclamam dos nossos excelentíssimos e nobríssimos representantes no governo, eleitos através do exercício do sufrágio (voto), em um Estado de Direito Democrático Soberano..., afirmam que a culpa do que ocorre no pais é do povo brasileiro que não sabe votar. O povo brasileiro é ignorante, o povo brasileiro é sem cultura – nada mais cultural do que dizer que o brasileiro não tem cultura -. Existe obviamente uma realidade de desinformação coletiva oriunda dos mais variados caminhos. Sabemos disso.
O que ocorre é sempre reproduzimos o que o sistema nos fala. nós acreditamos que a culpa é nossa, que tínhamos que ter pesquisado mais, ter lido mais, ter rezado mais. E não sei por que, temos um lapso de memória, e nós esquecemos que esses candidatos são avalizados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ou seja, eles nos oferecem opções ruins, nós votamos, o sujeito não cumpre nada do que se comprometeu, e a culpa é nossa.
Temos que perceber que é o Estado que nos oferece esse angu com jiló ou beterraba com bucho. E o melhor... Somos obrigados a escolher entre um e outro, correr o grande risco da dor de barriga de 4 anos. Caso contrário, sofreremos uma série de sanções.
O atual modelo está distante da democracia ideal. Ser obrigado a escolher é diferente de ter a opção de escolher.
No entando, entendo que Brasil não está pronto para o voto voluntário por uma série de questões. Acredito que deverá ser feito um trabalho progressivo nesse sentido. Mas botar tudo na nossa conta não dá.
Sem falar nas contradições: Como você vai falar para uma pessoa analfabeta funcional pesquisar sobre um candidato.
Jovens de 16 anos tem responsabilidade para decidir o futuro na nação, mas não tem responsabilidade pelos próprios atos, visto que ele é ainda é incapaz.
Existe casos onde está evidente, é de domínio público, que o candidato é corrupto e mesmo assim é eleito. Temos sim que buscar saber em quem estamos votando buscar saber o seu histórico. Mas é muito importante saber que quem avalizou o candidato corrupto, que possui folha criminal e tudo não foi o povo, foi o Estado. Foi o TRE que nos falou que ele era bom pra ser votado.
Não vamos acreditar que a culpa do que acontece é só nossa. É muito mais deles do que nossa. O temos que fazer e deixar de ser inertes, deixar de esperar tudo de um Estado pseudo paternalista. Mas isso é tema de uma próxima conversa.

terça-feira, 16 de junho de 2009

METRÔ DE BABEL



Muitos já devem ter ouvido falar da história bíblica da Torre de Babel. Os homens se uniram para construir uma torre que chegasse até o céu, mas houve confusão entre a língua dos homens e ninguém mais se entendia. E uma grande confusão ocorreu em razão disso.
Então ... Horário do rush, 18h. Estava no metrô vindo do centro do Rio de Janeiro. Aqueles que têm o hábito de andar nesse tipo de transporte sabem que, apesar de ser mais rápido, é também muitíssimo apertado. Sempre tem sete pessoas onde cabe uma. Nessas condições extremas de aperto, chega a uma determinada estação onde várias pessoas empurram umas as outras para conseguirem entrar. Dentre elas uns jovens alvoroçados, alguns sem camisa, falando alto e cantando. E nesse empurra–empurra, um deles esbarra em uma senhora, bem vestida com um penteado armado, e acaba derrubando os óculos dela. Esse jovem se abaixa e o pega para a senhora, pede desculpas pelo ocorrido e em seguida exorta os demais companheiros, “ Vamo ter mais cuidado aê! Vocês derrubaram o óculos da coroa!”
Prontamente a mulher extremamente ofendida rebate, “coroa é a sua mãe!”. O jovem pareceu meio desnorteado com a resposta dela, visto que ele tentara defendê-la, “Coé, tia, que que foi? Só falei pra eles pararem de empurrar...Tia..” E o corte veio rápido, “Eu não sou sua tia, e me respeite!”. O rapaz ficou indignado pela forma como foi tratado após ter sido gentil, a sua maneira, com a senhora, “Tá vendo, a gente tenta ajudar, e é assim... não estou nem ai... pode empurrar pessoal. Quero mais é que caia”.
Daí pra frente foi uma grande troca de gentilezas entre eles. A mulher se exaltou o jovem também. O povo se meteu na confusão, uns tomaram o partido dele, outros dela. E foi assim a viagem inteira. Dentro do metrô super lotado.
Não entro no mérito de quem estava certo ou errado. O que destaco nessa história, que eu presenciei, foi o motivo da discussão. Os personagens dessa situação eram, aparentemente, de realidades sociais completamente diferentes, e existe muito mais do que uma fossa social entre um e outro. Não se trata apenas de um ter dinheiro e o outro não ter. É como se fossem tribos diferentes habitantes de um mesmo território e que não falam mesmo idioma, cada um tem o seu dialeto.
Quando o rapaz chama a senhora de “coroa”, creio que, muito possivelmente, ele não imaginasse que, para ela, isso seria uma ofensa. Até porque dentro do contexto em que foi dito, não parecia ter nenhuma carga ofensiva, muito pelo contrário.
Não quero também entrar no mérito de como é a forma correta de se falar, e nos conceitos morais oriundos disso. O que quero apontar é que não existe uma ponte de comunicação entre as classes. Se houver, está bem capenga. As senhoras bem vestidas não entendem o que os jovens sem camisa falam e vice-versa.
E isso cria muito mais do que uma discussão no metrô lotado. Cria uma situação de conflito entre as classes que cada vez mais ficam distantes uma da outra. Nós sabemos muito bem o que ocorre quando povos de culturas diferentes, de línguas diferentes, com propósitos diferentes, passam a coabitar. Guerras começam assim, e já existe uma instalada entre nós.
De forma nenhuma sugiro a segregação social. Sugiro a comunicação. Buscar compreender o outro já um começo para acabarmos com essa torre de babel, onde ninguém se entende.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

AS NOVAS AVENTURAS DO SUPERMAN... NO RIO DE JANEIRO


Com a criminalidade controlada em Metrópolis, Superman não tinha muito que fazer por lá. Lex Luthor fora condenado e preso por todas as suas atrocidades.
Um belo dia Superman recebeu uma ligação do Secretário de Segurança do Rio de Janeiro, pedindo sua ajuda para acabar com o crime organizado na cidade. Clark Kent já tinha ouvido falar de comandos criminosos no Brasil, mas por razões diplomáticas, não pode vir aqui nos salvar.
Sua chegada era muito esperada; deu em todos os jornais, revistas, Internet. Quando ele chegou voando no maracanã foi uma loucura. Havia um multidão de pessoas o esperando; E, é claro, fazendo as honras, o Presidente da Republica e o Governador do Estado do Rio. Teve show da Ivete Zangalo e tudo. Até o Superman com aquela roupinha apertada azul e vermelha ousou dar uns passinhos. E também não poderia faltar ao passeio pela orla da cidade no carro de bombeiros.
Todos nós ficamos aliviados... Se ele conseguiu acabar com Lex, esses bandidinhos daqui seriam mole.
Superman então começou as suas atividades. Desarmou e prendeu todos os bandidos de uma das muitas favelas do Rio em um só dia. E sua empreitada continuou para o alto e avante. Trabalho espetacular... Em quase um mês conseguiu fazer o que em 20 anos a policia, o exercito e todas as forças possíveis, não fizeram.
Depois de meses de árduo trabalho, nada melhor que um descanso bancado pelos altos impostos pagos por nós. Não sei se comentei, mas quatro meses antes da chegada do Superman, foi criada a TMSS (Taxa de manutenção sobre serviços do Superman). Toda e qualquer coisa que consumamos há uma taxa de 10% sobre o valor. É muita coisa, mas pela nossa segurança estava valendo tudo!
Ele se hospedou no Copacabana Palace, na melhor suíte. Além da segurança reforçada, o andar inteiro era só dele. Só seu almoço custava aproximadamente 450 reais.
Foi nesse hotel que Clark Kent conheceu Neuza Maria, a faxineira, uma linda negra, de cabelos rebeldes que mora em Irajá. Tinha um rebolado que nunca vira em sua ex Lois Lane. Eles começaram um romance. E com boa parte dos criminosos na cadeia, Superman se deu ao luxo de freqüentar aos pagodes onde todas as sextas e sábados Neuza sambava até dizer chega!
Tivemos um bom período de paz, sem trafico, assaltos; Em razão disso o prefeito resolveu fazer uma estátua do Superman, toda feita em bronze, de 7 metros, no valor estimado em cinco milhões de dólares.
A multidão foi à inauguração da estatua de cinco milhões de dólares. Como de costume, não podia faltar o Show da Ivete, mas teve também Babado Novo, e outras bandas mais. Mais uma vez o povo foi à loucura, e o Show até de manhã.
Porém, nem tudo permaneceu um mar de rosas. Superman desarmou e colocou na cadeia todos os bandidos. Mas muitos eram réus primários, com endereço fixo, e foram libertados para aguardar o julgamento em liberdade. E o que eles fizeram? Voltaram para o trafico. Tiveram uns que fugiram mesmo, já outros mais espertos subornaram os policiais e nem chegaram a ir para a penitenciária.
Bem, como os cofres públicos estavam estourados, não tiveram verba para colocar policiamento onde outrora havia “bocas de fumo”. E aos poucos os bandidos começaram a voltar para seus postos e recrutar novos “soldados”. Ainda que por um período a violência tenha acabado, o problema social de não ter alternativa senão entrar para o “movimento” ainda continuava. O crime tinha sido sufocado, mas o desemprego e a educação continuavam um grande problema. Pra falar a verdade, com o fim das “bocas de fumo”, muitas pessoas ficaram sem “trabalho”.
Sabendo da ressurreição do tráfico, Superman prontamente voltou às favelas para combater a criminalidade. Mas dessa vez o nosso herói teve uma terrível surpresa. Não se sabe como, mas todos os bandidos estavam com munições de Kriptonita (para quem não sabe é uma pedra verde, o ponto fraco do nosso herói). Em vários pontos estratégicos das favelas havia quantidades enormes de Kriptonita. Dessa forma Superman não podia sequer se aproximar delas. E se arriscar a levar um tiro de kriptonita poderia ser fatal.
Superman recuou, e sobrevoando a cidade pensou: “Como isso é possível, nem Lex Luthor teve um plano tão ardiloso. E como esses malfeitores tiveram acesso a tanta kriptonita?”.
Não se sabe ao certo como a Kriptonita foi parar na mão dos traficantes, mas deve ter sido o mesmo caminho utilizado para se conseguir armas de guerra.
A partir daí começou a decadência do Superman no Rio. A criminalidade aumentou cada vez mais, afinal os bandidos tinham que tirar o atraso. Nunca houve tanto assalto e tanta venda de drogas como agora. Até inventaram uma droga nova feita de kriptonita moída misturada com cocaína.
O governo começou a ficar muito insatisfeito com essa situação e resolveu cortar o auxilio do Superman. Ele teve 15 dias para retirar todos os seus pertences do hotel. E assim foi feito, e ele foi morar com sua namorada Neuza. Ele poderia ir para outro lugar, afinal ainda tinha dinheiro, e ainda era o SUPERMAN, mas como Neuza insistiu tanto para ir morar com ela, acabou aceitando. Neuza só não imaginava que era tão difícil lavar as roupas apertadas do nosso ainda Herói.
Cada dia que passava a situação do Rio ficava pior. E o governo tomou a decisão de suspender os serviços do Superman, podendo ele voltar para Metropólis.
Nosso não mais herói fez um convite a Neusa; A chamou para ir morar com ele nos EUA, mas ela não quis, não queria ficar longe da sua família. E como Clark Kent estava apaixonado, decidiu ficar com ela.
Neusa e Clark se casaram. Com o dinheiro que ele juntara fizeram um puxadinho na casa onde moravam. Toda família da Neuza morava no mesmo quintal.
Mas os dias de gloria do Superman acabaram por aqui, ele estava sem dinheiro, como não podia mais proteger a sociedade, tinha que arrumar um trabalho. E mesmo sendo ele o SUPERMAN, estava difícil conseguir um. No currículo dele só constava anos de trabalho na segurança publica, e uns bicos como jornalista.
Como segurança não ia conseguir nada, afinal todos sabiam seu ponto fraco. E como jornalista, ele não tinha experiência suficiente para exercer a função.
Clark chegou a ir no “Super Pop com Luciana Ximenes”, mostrar seu sofrimento e seu abandono depois de tudo que ele fez por nós.
Mas nem tudo estava perdido, como nosso Ex-herói era muito forte e muito rápido, começou a trabalhar no Cais do Porto desembarcando contêineres extremamente pesados. Com esse serviços as empresas economizavam no maquinário e na mão de obra. Ele fazia o trabalho de 3 maquinas e 60 homens sozinho. O que começou a gerar mais desemprego. Bem mas isso é outra história...
Agora nosso nostálgico herói, mora em Irajá, casado com sua amada Neuza, trabalhando no cais do porto.
Se isso interessar a alguém, o imposto de 10% sobre qualquer coisa consumida continuou, mesmo depois que o Superman deixou suas funções. Nossos governantes alegaram que estão fazendo um planejamento com essa verba para trazer para o Rio de Janeiro o BATMAN.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

SEM ANESTESIA


Estava eu voltando da faculdade, pensando em teorias mirabolantes para mudar o mundo, pensando em críticas oposicionistas, e em tudo que está errado nesse Brasil.
Pensava no desemprego, no abandono do sistema de ensino, na saúde pública precária, pensava nessa absurda e indecente desigualdade social... Pensava!
Pensava em tudo de ruim que isso trás. Na violência, na miséria, na falta de esperança. E as soluções para tudo isso me pareciam tão óbvias, são simples. Bastava que alguém tivesse a coragem de fazê-las acontecerem.
Pensava em tudo isso, dentro de um confortável ônibus com ar condicionado, ouvindo o rádio do meu aparelho celular- uma estação que só toca música nacional- enquanto voltava da minha faculdade particular. Foi quando entre um pensamento e outro, olhei pela janela, através do meu quase reflexo. Vi um grupo de crianças entre 7 e 10 anos de idade fumando maconha e mais a frente outro grupo da mesma faixa etária que cheirava cola.
Difícil é definir o que senti naquele momento. O vazio que havia em mim era imensurável. E nesse momento todas as minhas idéias positivistas, e até às vezes,burguesas, não faziam o menor sentido.
Não foi a primeira vez que tinha visto uma cena dessas, no entanto, dessa vez foi diferente, não foi como as outras. Dessa vez me machucou. Senti-me tão impotente, tão incapaz. Como se a anestesia não fizesse mais efeito e naquele momento eu pudesse sentir a dor. E a dor, durante algum tempo, me fez parar de pensar.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

ALÉM DO XIXI NA RUA


Um dia estava eu caminhando pela rua indo para o metrô e vi um homem que urinava no poste sem o menor pudor. Algumas senhoras que passavam também por ali viram a cena e reclamaram bastante, em altos brados davam ao homem as mais diversas denominações. Nem a mãe do rapaz escapou de se ofendida. Podia o homem ter procurado um bar ou coisa assim, ou pelo menos, ter sido discreto.
Continuei caminhando, e por acaso, as senhoras seguiam, até então, para a mesma direção que eu. E foi inevitável ouvir o prolongar das reclamações. Uma delas dizia: “Que absurdo! Como um homem pode ser tão cara- de- pau! Mas que falta de respeito” A outra continuou: “Isso mesmo! Nós mulheres agüentamos até chegar ao banheiro, por que eles também não podem? Havia crianças passando na rua. Que homem nojento!”
O homem tem uma vantagem esmagadora sobre as mulheres, no que toca a necessidade de despir-se para urinar. Para os homens basta um simples abaixar de zíper e o problema está resolvido, e, lógico, isso torna mais fácil para nós solucionar o problema de estar apertado para ir ao banheiro. Mas isso também não é razão para tornar esse evento um espetáculo aberto ao grande público.
Ainda seguindo sentido ao metrô, de tanto as senhoras falarem ainda sobre o tema, e reclamarem, xingarem, esbravejarem, homem não presta, homem é nojento, raça ruim, etc. Já estava começando a ficar com vergonha de ser homem. Eis que de repente elas pararam de reclamar, assim, subitamente. Eu que caminhava atrás delas, fiquei aliviado. Há alguns passos à frente, pude entender o porquê do silêncio. Havia uma pracinha cheia de crianças brincando, algumas acompanhadas de suas mães. Mas havia uma mãe em especial, que na frente de todas as outras crianças, na frente de todas as pessoas que ali estavam, estava ajudando a seu filho a fazer xixi na rua. Acredito que aquelas senhoras que antes reclamavam se calaram pois podem ter visto naquela cena a origem do mal. Pode ter passado em suas cabeças quantas vezes elas mesmas não fizeram o mesmo com seus filhos. Elas mesmas ensinaram o desrespeito. A criança de hoje é o adulto de amanha.
Esse é um exemplo bobo de como nós muitas vezes reclamamos daquilo que somos diretamente co-responsáveis. Reclama-se da polícia corrupta, mas não se pensa duas vezes em oferecer “algum” ao policial para aliviar a multa. Reclama-se das atitudes inescrupulosas do governo, porém, sempre se dá aquele jeitinho para driblar os impostos de forma ilegal. E tantas outras coisas. Não podemos nos esquecer que aqueles que estão no poder, ou representam o poder, são formados de pessoas como eu e você. Se nós não mudarmos o mundo não muda. Parafraseando Gandhi: "A única revolução possível é dentro de nós.”. Ou paramos de ensinar nossos filhos a fazer xixi na rua, ou seremos obrigados a ver marmanjos urinando sem pudor algum, em plena luz do dia. E viver reclamando disso!

sábado, 25 de abril de 2009

MINHA SEXTA-FEIRA 13



Primeira sexta-feira 13 do ano de 2009, por volta do meio dia. Estava no escritório onde trabalho no centro do Rio. Por também ser fotógrafo, carrego sempre comigo a minha câmera fotográfica amadora ou a profissional. Neste dia estava com a amadora no meu bolso. Desci pra comprar meu almoço. Ao chegar à rua me deparei com uma grande confusão entre guardas municipais e camelôs. A primeira coisa que fiz, como qualquer jornalista faria, saquei minha câmera e comecei a fotografar e filmar o evento.
Uma das imagens capturadas foi a de um guarda que tirou a muleta de uma senhora e passou a agredi-la nas pernas com essa muleta. A multidão começou a ficar mais nervosa e atiraram pedras nos guardas. A confusão ficou generalizada.
Poucos minutos depois chega reforços da guarda enquanto eu estava filmando distante do epicentro da “batalha”. Percebo então que o guarda que agrediu a senhora com a muleta dela corria em minha direção. Assustado, entrei em um restaurante, mas ele foi atrás de mim. Entrou no restaurante gritando: “Só quero ele, só quero ele!” “ Onde está a sua câmera?”
Ele tomou minha câmera, deu ordem para me algemar com as mãos para trás; isso bem próximo a porta do meu trabalho. Então começou a me conduzir de forma violenta, me puxando pela algema, que estava de tal forma apertada que lesionou um nervo da minha mão esquerda causando a perda parcial do tato.
Colocou-me em um veiculo junto com mais quatro guardas municipais. Estavam me conduzindo para delegacia e no caminho fui insultado, humilhado, ameaçado. Um dos guardas gritava comigo afirmado que iria dizer que me viu atirando pedras neles. Ainda no caminho os guardas começaram a apagar as fotos e vídeos que eu havia feito.
Mas o pior momento não foi ser algemado na porta do trabalho e ser arrastado como um criminoso, nem as ofensas e ameaças dentro do carro, mas sim quando estava sentado na delegacia sob custódia dos policiais. O olhar das pessoas pra mim. Um olhar de satisfação ao ver “menos um bandido nas ruas”. Sentia-me tão inútil, tão nada, tão impotente, tão envergonhado. Fiquei pensando em todas as minhas teorias para mudar o sistema, no absurdo social em que vivemos, na busca dessa “tal” nova mentalidade. Comecei a chorar! Comecei a pensar em quantos outros passam pelo mesmo que eu. Quantos outros são acusados injustamente. Quantos estão presos sendo inocentes. Aí comecei a me sentir mais inútil ainda. De que adianta tentar mudar alguma coisa. Chegou a me parecer idiota a idéia de que “mude ou o mundo muda você”.
Uma série de irregularidades se sucedeu naquele dia. Uma delas... o guarda que me algemou tomou com ele a câmera e terminou de apagar todos os registros feitos. Mesmo o delegado , inspetores, comandante da GM, terem vistos as imagens. Ao ser perguntado se ele havia apagado as imagens ele falou que não tinha apagado e insinuou que EU teria apagado as fotos. Mudou a versão dos fatos. Primeiro afirmou me algemou (mesmo sem eu oferecer resistência) por que me viu com uma pedra na mão, mas não me viu atirando a pedra. Em seguida afirmou na frete dos meus pais, advogado, delegado que me viu atirando pedras, versão essa confirmada por outro guarda.
Resultado: Responderei a processo criminal por incitação ao crime.
Esse é o nosso sistema. E todos que de qualquer forma resolver lutar por algo melhor que esteja disposto a passar por situações como a que eu passei. Aqueles que desejam mudança de verdade certamente terão uma vida não muito fácil. Como falei anteriormente pensei que a idéia de mudança seria idiota. Mas na verdade percebi com o passar do tempo que aquela sexta-feira 13 foi um nascimento. Meus olhos se abriram e pude ver claramente a realidade que me cerca. Não estou desanimado e sim motivado. Não irei parar e sim continuar. Um dia eu estarei pronto. Essa foi somente a primeira prova de muitas outras, e até mesmo mais difíceis que esta. Até lá estarei me preparando.
Acima vídeo que consegui recuperar da minha câmera do momento em que fui preso. Veja e tire suas conclusões!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

CHANGE! YES WE CAN!


Agora é oficial, Barack Obama, 1º presidente negro dos EUA. A imprensa mundial, acredito que até de uma forma exagerada, tem colocado Obama em uma condição quase que messiânica. Me parece até que ele ira revezar com Deus as diretrizes mundiais. De fato, depois de 8 longos anos de atrocidades realizadas pelo seu, definitivamente nada saudoso, antecessor George W. Bush, a eleição de Obama foi muito mais do contagem de votos, foi um grito de esperança, de socorro, de mudança. E nesse clima de esperança, torço que as políticas adotadas por ele sejam muito mais humanitárias e coletivas do que “meu-norte americano-umbiguista”.
Porém, por mais mudanças que possam ocorrer não sei de fato o que pode nos afetar de forma REALMENTE sensível aqui no Brasil. E vou além. Esperar de lá mudanças salvadoras aqui é assinar o atestado de colônia norte americana. Claro que num mundo globalizado, se o bicho pega, por exemplo, na economia de lá, como estamos vivendo hoje a crise mundial, fatalmente, nos atinge. O que fazer para nos atingir menos então? Buscar depender menos deles, focar mais o crescimento via mercado interno. Mas isso é outra história. O quero dizer com isso? Que de fato, não acredito que muitas coisas irão acontecer no nosso prédio com a mudança do sindico do prédio vizinho. Ele pode organizar a bagunça de forma que o barulho não nos incomode mais. Não sei se muito além disso.
Muito mais do que efetivamente ele possa fazer, é o simbolismo de um negro ter sido eleito em uma das nações mais conservadoras do mundo. Uma nação onde há aproximadamente 60 anos brancos e negros não ocupavam o mesmo espaço. Onde negros tinham que se levantar dos bancos dos ônibus para os brancos sentarem. Banheiros, bebedouros, restaurantes, bares, bairros, cidades para brancos e para negros. E tudo isso estava na lei, ou seja, o preconceito era institucionalizado. Pouco mais de meio século depois do discurso I have a dream , Luther King pode ver da onde quer que ele esteja, um negro ser empossado presidente da nação mais poderosa do mundo.
Para mim essa é a mudança mais significativa. Não que ele será um bom presidente por ser negro, isso o tempo dirá, mas um negro se tornar presidente dos EUA. Aproximadamente 60 anos depois de Luther King lutar por direitos iguais e ser assassinado, Malcon X lutar por direitos iguais e ser assassinado, tantos outros que luram e foram presos, torturados, assassinados, uma mudança tão significativa aconteceu lá. Dentro de uma perspectiva histórica de lá pra cá são segundos.
Ai está a minha esperança em Barack Obama. Espero que o que ele simboliza se irradie pelo mundo através das mentes dos homens, mulheres, brancos, negros, amarelos, vermelhos. CHANGE? I HOPE WE CAN TOO!