LAVANDO ROUPA SUJA

LAVANDO ROUPA SUJA
*Necessário*

quarta-feira, 6 de maio de 2009

ALÉM DO XIXI NA RUA


Um dia estava eu caminhando pela rua indo para o metrô e vi um homem que urinava no poste sem o menor pudor. Algumas senhoras que passavam também por ali viram a cena e reclamaram bastante, em altos brados davam ao homem as mais diversas denominações. Nem a mãe do rapaz escapou de se ofendida. Podia o homem ter procurado um bar ou coisa assim, ou pelo menos, ter sido discreto.
Continuei caminhando, e por acaso, as senhoras seguiam, até então, para a mesma direção que eu. E foi inevitável ouvir o prolongar das reclamações. Uma delas dizia: “Que absurdo! Como um homem pode ser tão cara- de- pau! Mas que falta de respeito” A outra continuou: “Isso mesmo! Nós mulheres agüentamos até chegar ao banheiro, por que eles também não podem? Havia crianças passando na rua. Que homem nojento!”
O homem tem uma vantagem esmagadora sobre as mulheres, no que toca a necessidade de despir-se para urinar. Para os homens basta um simples abaixar de zíper e o problema está resolvido, e, lógico, isso torna mais fácil para nós solucionar o problema de estar apertado para ir ao banheiro. Mas isso também não é razão para tornar esse evento um espetáculo aberto ao grande público.
Ainda seguindo sentido ao metrô, de tanto as senhoras falarem ainda sobre o tema, e reclamarem, xingarem, esbravejarem, homem não presta, homem é nojento, raça ruim, etc. Já estava começando a ficar com vergonha de ser homem. Eis que de repente elas pararam de reclamar, assim, subitamente. Eu que caminhava atrás delas, fiquei aliviado. Há alguns passos à frente, pude entender o porquê do silêncio. Havia uma pracinha cheia de crianças brincando, algumas acompanhadas de suas mães. Mas havia uma mãe em especial, que na frente de todas as outras crianças, na frente de todas as pessoas que ali estavam, estava ajudando a seu filho a fazer xixi na rua. Acredito que aquelas senhoras que antes reclamavam se calaram pois podem ter visto naquela cena a origem do mal. Pode ter passado em suas cabeças quantas vezes elas mesmas não fizeram o mesmo com seus filhos. Elas mesmas ensinaram o desrespeito. A criança de hoje é o adulto de amanha.
Esse é um exemplo bobo de como nós muitas vezes reclamamos daquilo que somos diretamente co-responsáveis. Reclama-se da polícia corrupta, mas não se pensa duas vezes em oferecer “algum” ao policial para aliviar a multa. Reclama-se das atitudes inescrupulosas do governo, porém, sempre se dá aquele jeitinho para driblar os impostos de forma ilegal. E tantas outras coisas. Não podemos nos esquecer que aqueles que estão no poder, ou representam o poder, são formados de pessoas como eu e você. Se nós não mudarmos o mundo não muda. Parafraseando Gandhi: "A única revolução possível é dentro de nós.”. Ou paramos de ensinar nossos filhos a fazer xixi na rua, ou seremos obrigados a ver marmanjos urinando sem pudor algum, em plena luz do dia. E viver reclamando disso!

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