LAVANDO ROUPA SUJA

LAVANDO ROUPA SUJA
*Necessário*

sábado, 25 de abril de 2009

MINHA SEXTA-FEIRA 13



Primeira sexta-feira 13 do ano de 2009, por volta do meio dia. Estava no escritório onde trabalho no centro do Rio. Por também ser fotógrafo, carrego sempre comigo a minha câmera fotográfica amadora ou a profissional. Neste dia estava com a amadora no meu bolso. Desci pra comprar meu almoço. Ao chegar à rua me deparei com uma grande confusão entre guardas municipais e camelôs. A primeira coisa que fiz, como qualquer jornalista faria, saquei minha câmera e comecei a fotografar e filmar o evento.
Uma das imagens capturadas foi a de um guarda que tirou a muleta de uma senhora e passou a agredi-la nas pernas com essa muleta. A multidão começou a ficar mais nervosa e atiraram pedras nos guardas. A confusão ficou generalizada.
Poucos minutos depois chega reforços da guarda enquanto eu estava filmando distante do epicentro da “batalha”. Percebo então que o guarda que agrediu a senhora com a muleta dela corria em minha direção. Assustado, entrei em um restaurante, mas ele foi atrás de mim. Entrou no restaurante gritando: “Só quero ele, só quero ele!” “ Onde está a sua câmera?”
Ele tomou minha câmera, deu ordem para me algemar com as mãos para trás; isso bem próximo a porta do meu trabalho. Então começou a me conduzir de forma violenta, me puxando pela algema, que estava de tal forma apertada que lesionou um nervo da minha mão esquerda causando a perda parcial do tato.
Colocou-me em um veiculo junto com mais quatro guardas municipais. Estavam me conduzindo para delegacia e no caminho fui insultado, humilhado, ameaçado. Um dos guardas gritava comigo afirmado que iria dizer que me viu atirando pedras neles. Ainda no caminho os guardas começaram a apagar as fotos e vídeos que eu havia feito.
Mas o pior momento não foi ser algemado na porta do trabalho e ser arrastado como um criminoso, nem as ofensas e ameaças dentro do carro, mas sim quando estava sentado na delegacia sob custódia dos policiais. O olhar das pessoas pra mim. Um olhar de satisfação ao ver “menos um bandido nas ruas”. Sentia-me tão inútil, tão nada, tão impotente, tão envergonhado. Fiquei pensando em todas as minhas teorias para mudar o sistema, no absurdo social em que vivemos, na busca dessa “tal” nova mentalidade. Comecei a chorar! Comecei a pensar em quantos outros passam pelo mesmo que eu. Quantos outros são acusados injustamente. Quantos estão presos sendo inocentes. Aí comecei a me sentir mais inútil ainda. De que adianta tentar mudar alguma coisa. Chegou a me parecer idiota a idéia de que “mude ou o mundo muda você”.
Uma série de irregularidades se sucedeu naquele dia. Uma delas... o guarda que me algemou tomou com ele a câmera e terminou de apagar todos os registros feitos. Mesmo o delegado , inspetores, comandante da GM, terem vistos as imagens. Ao ser perguntado se ele havia apagado as imagens ele falou que não tinha apagado e insinuou que EU teria apagado as fotos. Mudou a versão dos fatos. Primeiro afirmou me algemou (mesmo sem eu oferecer resistência) por que me viu com uma pedra na mão, mas não me viu atirando a pedra. Em seguida afirmou na frete dos meus pais, advogado, delegado que me viu atirando pedras, versão essa confirmada por outro guarda.
Resultado: Responderei a processo criminal por incitação ao crime.
Esse é o nosso sistema. E todos que de qualquer forma resolver lutar por algo melhor que esteja disposto a passar por situações como a que eu passei. Aqueles que desejam mudança de verdade certamente terão uma vida não muito fácil. Como falei anteriormente pensei que a idéia de mudança seria idiota. Mas na verdade percebi com o passar do tempo que aquela sexta-feira 13 foi um nascimento. Meus olhos se abriram e pude ver claramente a realidade que me cerca. Não estou desanimado e sim motivado. Não irei parar e sim continuar. Um dia eu estarei pronto. Essa foi somente a primeira prova de muitas outras, e até mesmo mais difíceis que esta. Até lá estarei me preparando.
Acima vídeo que consegui recuperar da minha câmera do momento em que fui preso. Veja e tire suas conclusões!

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